Qual a importância da esterilização das gatas e cadelas? E da castração dos machos?

        A esterilização é algo que suscita muitas questões entre os que adoptam animais. Submetê-los a uma operação para lhes remover o sistema reprodutivo, que é visto como o comum motivo da existência dos animais, é algo que, no mínimo, dá que falar. Pois é para vos mostrar os benefícios da esterelização que vos escrevemos este artigo, porque realmente é um processo necessário para um bem geral, como vão poder constatar. Vamos explicar cada passo, o caso geral e os casos cá de casa em particular.

importância de esterilizar + cães + gatos+ telma e pedro + vida de pet

1- Em que consiste a esterilização?

        Consiste na remoção cirúrgica dos órgãos reprodutores (isto é, com funções de reprodução, estritamente!). Na prática, consiste em técnicas que os veterinários usam para extrair em bloco os ovários e o útero, no caso das fêmeas, e na remoção de ambos os testículos no caso dos machos. Mas atenção!! Existem técnicas que podem ser consideradas para o mesmo efeito, não o sendo na sua totalidade. A esterilização previne doenças e ainda impede a fecundidade, enquanto que medidas como a laqueação das trompas uterinas nas fêmeas e a vasectomia nos machos, só servem para prevenir a reprodução, não trazendo vantagens e devendo ser empregues em casos muito mais específicos. Assim sendo, se te recomendarem a segunda opção, deves consultar mais do que um especialista, preferencialmente, já que é uma medida menos abrangente para as problemáticas que podem ocorrer.

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2- O animal sentirá algum tipo de dor? Pode correr perigo?

        A resposta para ambas as perguntas é negativa.
       Nós também ficámos com muito medo que a operação corresse mal, de alguma forma, mas o risco é mínimo. Claro que existe, como em tudo na vida. Não deixa de ser uma operação, é certo. Mas o que é certo é que o risco é mínimo e supostamente controlado por máquinas e geralmente não existe somente o veterinário na sala, havendo várias formas de controlar a situação e prevenir a ocorrência de males maiores. Por outro lado, no âmbito das dores, o que é certo é que quando a gata veio para casa ainda se notava o efeito da forte anestesia que lhe foi dada, várias horas posteriores à operação. Isto é, para a cirurgia o animal estará sob anestesia geral onde, tal como nós, humanos, não sentirá nada. Posteriormente, receberá medicamentos apropriados para prevenir a dor, o desconforto ou mesmo possíveis infecções, que irão garantir o bem-estar do animal.

3- Qual a idade mais acertada para a esterilização?

        Pode ser feita em qualquer idade, mas é recomendado que seja após o primeiro cio para os elementos femininos (sendo que este acontecimento se dá entre os 6 e os 9 meses) e no caso dos elementos masculinos deve ser após o alcance da sua maturidade sexual (entre os 5 e os 6 meses).

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4- Quais são as vantagens da esterilização?

       As vantagens são inúmeras, mas vamos enunciar as que se consideram ser as mais importantes:
        Reduz em grande parte a probabilidade de vir a ter patologias de grande gravidade, tais como a de desenvolver tumores mamários e outros tumores no útero e ovários, no caso das fêmeas; no caso dos machos "reduz muito o risco de patologias prostáticas (hiperplasia prostática benigna), impede o desenvolvimento de tumores testiculares e diminui a probabilidade de ocorrência de outras patologias como hérnias e tumores perianais".
         Impede ninhadas e gestações indesejadas, pelo que impede a progressão do nascimento de animais que vão ser abandonados ou maltratados.
        Diminui a necessidade do animal de fugir de casa, já que não tem que procurar o/a parceiro/a. Assim, reduz ainda outros incidentes que possam ser consequência da fuga, tais como brigas com outros animais ou atropelamentos, por exemplo.
         Os comportamentos indesejados comummente ocorrem devido a alterações hormonais. Assim, geralmente os machos já não terão tendência para marcar território, não terão comportamentos mais violentos ou agressivos, bem como as fêmeas não vão fazer os ruídos que aparentam o choro de uma criança (principalmente no caso das gatas e aii como a nossa tinhaz fazia barulho...), e ainda não vão libertar feromonais sexuais que vão atrair machos das redondezas e que pode gerar vários problemas...

5- No meio disto tudo, deve haver desvantagens. Quais são?

        A lista é muito reduzida. Terá tendência para ganhar mais peso e há um maior risco que o animal se torne obeso, mas também há formas de contornar a situação com alimentação adequada ao estado (esterilizado) e ainda através do estímulo ao exercício. Por outro lado, há registos de cadelas de pequeno porte que anotam riscos de incontinência urinária (o que pode acontecer entre 12 a 24 meses após a cirurgia, sendo que só 9% revelam tal risco). Ainda assim, também esta situação pode ser controlada com o devido tratamento.

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6- Não será melhor utilizar, no caso das fêmeas, métodos anticoncepcionais, como a pílula ou a injecção para o efeito por exemplo?

        Na opinião unânime dos veterinários, esta questão nem se deve colocar. Também nós questionámos pessoalmente e o alerta para os graves riscos foi geral! Existem vários efeitos secundários que podem ser muito perigosos e ainda assim não é totalmente eficaz. Em todas as nossas procuras nos foi indicado que aumentaria a probabilidade em larga escala de vir a ter futuros problemas de saúde que podem vir a ser fatais, tais como cancros e outras patologias bastante graves.
        É ainda importante salientar que a diferença monetária será nula, já que a pílula será algo que terá que ser administrada durante toda a vida, de tempos a tempos, enquanto que a cirurgia será definitiva.

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7- Não é importante que a fêmea tenha os seus primeiros rebentos? Não a deixará infeliz nunca ter tido o(s) seu(s) filhote(s)?

        Esta foi outra questão que nos prendeu durante muito tempo. Geralmente tendemos a humanizar os animais e isso não é correcto, por isso mesmo quisemos escrever a presente publicação! Também nós, sem nos apercebermos, estávamos a tentar humanizar os pensamentos de uma gata, parecendo desconhecer a realidade: O facto é que os animais obedecem a ritmos biológicos e hormonais, pelo que não existe uma motivação psicológica. Assim, podemos compreender que se trata de um mito que não deve ser levado de forma alguma a sério. As gatas não precisam de ter filhos para se sentirem felizes, muito menos para a sua saúde (e para isto voltamos a chamar a atenção para o ponto 4, relembrando que a esterilização previne de várias doenças possíveis para o futuro dos animais que não são esterilizados).


A nossa experiência e opinião pessoal:

        Estima-se que para cada pessoa que nasce, nascem também 15 cães e 45 gatos. Como bem sabemos, não há como dar um lar a todos, por isso há que prevenir que esta situação se repercuta, que continuemos a acumular seres infelizes nas ruas. Há que esterilizar os nossos patudos! Tendo consciência disso, decidimos esterilizar a nossa gata e a nossa cadela, que tiveram um pós-operação completamente distinto.
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         Como sabem, a nossa peste negra, a rainha gata Maria Preta é a mau feitio da casa. Desde que a achámos na rua que ela sempre se fez ouvir quando tem fome. Aliás, foi exactamente por isso que a resgatámos das ruas, por a ouvirmos miar. Depois da operação teve três dias sem comer, sem brincar, limitando-se a dormir devido aos medicamentos e respectivas anestesias. Todo o processo foi muito doloroso para nós e questionamo-nos várias vezes se tínhamos feito o que era certo. Mas claro que ela voltou às suas rotinas, cerca de uma semana depois, e já conseguimos compreender que fizemos o correcto, sem arrependimentos. Acabou tudo em bem. Não infectou, não houve contratempos, e nem sequer usámos o conhecido cone elizabetano. Não havia pontos à vista, nem foi necessário mangas no corpo para protecção. Usaram pontos que se desfazem com o tempo. Tudo acabou em bem e sem repercussões posteriores.
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       Depois adoptámos a cadela Chiclet e decidimos analisar quando seria a melhor altura para a esterilizar. Decidimos também estudar ainda melhor o assunto. Decidimos então esterilizá-la mesmo antes de ter a primeira menstruação. Com ela já foi completamente diferente. Tivemos que usar uma parte de uma meia de mulher (collants) para a proteger de ela mesma, para não corromper com as compressas que protegiam os pontos da operação. Por duas vezes chegámos a casa e ela tinha conseguido retirar a collant e a compressa. Esta cadela é um perigo para ela mesma... Mas no final, com toda a nossa atenção e carinho, tudo acabou em bem, sem problemas de maior. Tivemos que dormir uma semana com ela no sofá da sala, para ela não saltar tanto ou fazer esforços. Isso sim foi o verdadeiramente difícil. É que ela nunca parou quieta. É a electricidade em forma de cadela.

Que experiências têm vocês a partilhar? Qual a vossa opinião sobre o assunto?

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